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Ozivy: a Semaglutida Brasileira Aprovada pela Anvisa — Preço, Lançamento e o Que Muda

MC
Dra. Miriam Cavalcanti
Nutricionista · PhD em Metabolismo e Endocrinologia Nutricional (USP) · 14 anos de prática clínica

Em 26 de maio de 2026, a Anvisa registrou o Ozivy — o primeiro medicamento com semaglutida sintética fabricado inteiramente no Brasil, desenvolvido pelo laboratório EMS. A partir de 15 de junho de 2026, ele deverá chegar às farmácias com preço inicial anunciado a partir de R$ 452 por caneta, aproximadamente 30% abaixo do Ozempic importado.

Para quem acompanha o debate sobre obesidade e GLP-1 no Brasil, essa notícia tem peso real. Semaglutida deixou de ser sinônimo de produto importado e caro. Mas antes de comemorar — ou de ligar para o médico pedindo a receita —, é essencial entender o que o Ozivy é, o que ele não é e para quem ele foi aprovado.

Vou explicar tudo com a clareza que você merece.


O que é o Ozivy

O Ozivy é um agonista do receptor de GLP-1 à base de semaglutida, fabricado pela EMS — o maior laboratório farmacêutico de capital nacional do Brasil. A semaglutida imita a ação do GLP-1 (glucagon-like peptide-1), um hormônio intestinal que regula o apetite, a secreção de insulina e o esvaziamento gástrico.

Em termos práticos: quando presente em concentrações farmacológicas, a semaglutida reduz a fome, melhora o controle glicêmico e, em estudos clínicos, promoveu perda de peso entre 10% e 15% da massa corporal em participantes com diabetes tipo 2.

O Ozivy é aplicado por via subcutânea uma vez por semana, armazenado sob refrigeração entre 2°C e 8°C, e vem em embalagem com duas canetas. A produção ocorre na fábrica de peptídeos da EMS em Hortolândia, no interior de São Paulo, resultado de um investimento de R$ 1,2 bilhão e com capacidade declarada de até 40 milhões de canetas por ano.


A decisão da Anvisa e o contexto do fim da patente

Para entender por que o Ozivy surgiu agora, é preciso olhar para o calendário das patentes.

Em março de 2026, expirou a proteção de patente do Ozempic e do Wegovy, os produtos originais com semaglutida da Novo Nordisk. Esse evento abriu legalmente o caminho para que outros fabricantes desenvolvessem e registrassem seus próprios medicamentos com a mesma molécula.

A Anvisa, por sua vez, já sinalizava o movimento. Em nota de 20 de março de 2026, a agência informou que havia 17 pedidos de registro de semaglutida em tramitação, com posicionamentos esperados entre abril e junho de 2026. O Ozivy foi o primeiro a ser aprovado, em 26 de maio de 2026.

Para entender com mais profundidade como a Anvisa aprova um medicamento como o Ozivy, preparei um guia separado — porque o processo é mais rigoroso do que muita gente imagina.


Por que o Ozivy NÃO é um genérico

Aqui está um ponto que precisa ser esclarecido com cuidado, porque circulam muitas informações imprecisas.

No Brasil, medicamentos genéricos existem apenas para moléculas de síntese química convencional. Para eles, o fabricante comprova que o produto é equivalente ao original por meio de testes de bioequivalência — um processo mais rápido e menos oneroso.

A semaglutida é um peptídeo — uma molécula biológica complexa. No universo dos biológicos, não existe a categoria “genérico”. O que existe é o chamado “biossimilar” para biológicos produzidos por organismos vivos (como anticorpos monoclonais) ou, no caso de peptídeos sintéticos como a semaglutida, um análogo sintético registrado como medicamento novo.

Isso significa que a EMS precisou conduzir seus próprios estudos clínicos, demonstrar eficácia e segurança de forma independente e submeter toda a documentação à análise da Anvisa. Não houve atalho. Cada novo fabricante que quiser registrar semaglutida no Brasil precisará percorrer o mesmo caminho.

Do ponto de vista prático para o paciente, isso é uma boa notícia: a Anvisa não abriu mão do rigor científico para acelerar o acesso.


Preço e lançamento: o que se sabe até agora

Segundo informações divulgadas pela EMS e amplamente noticiadas pela imprensa especializada, o Ozivy deve chegar às grandes redes farmacêuticas a partir de 15 de junho de 2026, com 500 mil canetas distribuídas no primeiro ciclo.

Sobre o preço, é importante distinguir dois valores diferentes:

  • Teto da CMED (Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos): o preço máximo autorizado varia de R$ 803,44 (menor dosagem) a R$ 1.077,79–R$ 1.399,72, dependendo da dose.
  • Preço praticado anunciado pela EMS: a partir de R$ 452 por caneta, o que representaria cerca de 30% abaixo do Ozempic importado. Pelo programa Vida + Leve da EMS, o valor seria de aproximadamente R$ 287/mês nos três primeiros meses.

Deixo claro que os preços praticados podem variar entre farmácias, planos de saúde e distribuidores, e que os valores acima são os divulgados pela empresa no momento do lançamento. Para acompanhar a evolução dos preços, consulte o artigo específico Quanto custa o Ozivy.


Indicação aprovada: só para diabetes tipo 2

Este é o ponto mais importante do artigo — e o que mais gera confusão nas redes sociais.

O Ozivy foi aprovado pela Anvisa exclusivamente para o tratamento de diabetes tipo 2 em adultos, como complemento a dieta e prática de exercício físico.

O uso para emagrecimento ou obesidade não foi aprovado. Qualquer uso com essa finalidade é considerado off-label — ou seja, fora da indicação oficial do medicamento.

No consultório, eu costumo usar a seguinte analogia: aprovar um medicamento para uma indicação específica é como autorizar um determinado modelo de avião para rotas nacionais. Ele pode voar muito bem em rotas internacionais também, mas até que a agência regulatória analise e aprove essa nova rota, o uso fora da indicação exige que o piloto — neste caso, o médico — assuma a responsabilidade e monitore o voo de perto.

Isso não significa que o uso off-label seja proibido ou errado em todos os casos. Significa que ele precisa de avaliação médica individualizada, prescrição e acompanhamento rigoroso.

Para uma análise aprofundada sobre esse tema, veja o artigo Ozivy serve para emagrecer?


Ozivy, Ozempic e Mounjaro: qual é a diferença?

Para situar o Ozivy no cenário dos agonistas de GLP-1 disponíveis (ou em vias de disponibilização) no Brasil, vale uma comparação rápida:

  • Ozivy e Ozempic: ambos contêm semaglutida, um agonista do receptor GLP-1. A perda de peso em estudos clínicos fica na faixa de 10% a 15% da massa corporal. A diferença está na origem e no preço — o Ozivy é fabricado no Brasil pela EMS; o Ozempic é importado da Novo Nordisk.
  • Wegovy: também é semaglutida da Novo Nordisk, mas em dose maior e com indicação aprovada para obesidade. Ainda não tem registro no Brasil para essa indicação.
  • Mounjaro (tirzepatida): age em dois receptores simultaneamente — GLP-1 e GIP — o que o posiciona como um mecanismo de ação diferente e, nos estudos, produziu perdas entre 15% e 22% da massa corporal.

Para entender se vale a pena trocar de uma caneta para outra, veja nosso comparativo Ozivy x Ozempic x Mounjaro. E, para o comparativo aprofundado dos importados, acesse o artigo Ozempic, Mounjaro e Wegovy.


O que muda para quem busca emagrecer no Brasil

A chegada do Ozivy representa uma mudança estrutural no mercado brasileiro de agonistas de GLP-1. A oferta tende a aumentar, os preços devem cair progressivamente à medida que mais fabricantes obtiverem registro, e o acesso deve se ampliar — especialmente se o SUS eventualmente incorporar o produto para indicações específicas.

Mas há um ponto que preciso colocar com honestidade: mesmo a R$ 452/caneta, estamos falando de um custo mensal relevante, acessível para uma parcela limitada da população. E o medicamento exige prescrição, acompanhamento médico contínuo, ajuste de dose e monitoramento de efeitos adversos.

Para quem não tem acesso ao medicamento — seja por custo, contraindicação ou preferência por uma abordagem sem fármacos —, existem estratégias baseadas em evidências para estimular naturalmente o GLP-1 do próprio corpo: compostos como berberina, fibras fermentáveis, erva-mate e proteínas de alta qualidade têm efeitos documentados na literatura científica.

É exatamente sobre isso que trata o Protocolo Mondiaro: um conjunto de estratégias alimentares e de estilo de vida para estimular o GLP-1 endógeno de forma acessível. Não é um substituto de medicamentos — e nunca apresento dessa forma. Mas para quem quer agir com o que tem, é um ponto de partida sólido, baseado em ciência.

Se você quer entender o que algumas pessoas chamam de a a “Mounjaro de pobre” — a combinação de compostos naturais que mimetizam parcialmente o efeito dos fármacos —, esse artigo explica os protocolos e suas limitações com clareza.


Perguntas Frequentes

O Ozivy é um genérico do Ozempic? Não. No Brasil não existe genérico de medicamento biológico ou de análogo sintético de peptídeo. O Ozivy é registrado como medicamento novo — a EMS precisou comprovar de forma independente eficácia, segurança e qualidade, sem atalho de bioequivalência.

Para que o Ozivy foi aprovado pela Anvisa? Exclusivamente para o tratamento de diabetes tipo 2 em adultos, como complemento a dieta e exercício físico. O uso para emagrecimento ou obesidade não está aprovado e é considerado off-label.

Qual é o preço do Ozivy? Segundo a EMS e a imprensa especializada, o preço praticado parte de R$ 452 por caneta — cerca de 30% abaixo do Ozempic importado. O programa Vida + Leve da EMS prevê valores a partir de R$ 287/mês nos três primeiros meses. O teto da CMED varia de R$ 803,44 a R$ 1.399,72 conforme a dosagem. Para detalhes atualizados, consulte Quanto custa o Ozivy.

Quando o Ozivy chega às farmácias? Segundo a EMS, as vendas devem começar a partir de 15 de junho de 2026, com 500 mil canetas no primeiro ciclo nas grandes redes.

Posso usar o Ozivy para emagrecer sem ter diabetes? Não sem acompanhamento médico. O uso para obesidade ou emagrecimento é off-label e exige avaliação individual, prescrição e monitoramento de um médico. Nunca utilize medicamentos fora da indicação aprovada por conta própria.


Conclusão

O registro do Ozivy pela Anvisa em 26 de maio de 2026 marca um momento importante para o acesso a tratamentos de diabetes no Brasil. Pela primeira vez, um medicamento com semaglutida será produzido em solo brasileiro, com potencial de aumentar a oferta e reduzir gradualmente os custos.

Ao mesmo tempo, é fundamental que a informação que circula sobre ele seja precisa: o Ozivy foi aprovado para diabetes tipo 2, não para emagrecimento; ele não é um genérico; e seu uso exige prescrição e acompanhamento médico.

Para quem busca alternativas acessíveis para cuidar do peso e do metabolismo, as estratégias naturais de estímulo ao GLP-1 continuam sendo um caminho legítimo — com efeitos reais, mas de potência muito diferente dos medicamentos. Apresento os dois mundos com honestidade, porque acredito que você merece tomar decisões com informação completa.


Referência: Nota oficial da Anvisa sobre pedidos de registro de semaglutida (20/03/2026): https://www.gov.br/anvisa/pt-br/assuntos/noticias-anvisa/2026/anvisa-divulga-atualizacao-sobre-pedidos-de-registro-de-semaglutida


Aviso importante: Este artigo é informativo e não substitui consulta médica. O Ozivy é um medicamento que exige prescrição e acompanhamento profissional, aprovado pela Anvisa apenas para diabetes tipo 2. Nunca inicie, altere ou interrompa qualquer medicamento sem orientação do seu médico.

Nota de transparência: estratégias naturais para estimular o GLP-1 do próprio corpo têm efeitos reais, porém de potência muito inferior à dos medicamentos agonistas de GLP-1 como a semaglutida. Apresentamos os dados de forma honesta para que você decida com informação.

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Este conteúdo tem finalidade exclusivamente educativa e informativa. Não substitui avaliação, diagnóstico ou tratamento médico ou nutricional individualizado. Consulte um profissional de saúde antes de fazer mudanças em sua alimentação ou suplementação.